Um espaço dedicado a toda beleza em forma de som e palavras...

domingo, 17 de agosto de 2014

Além das agitações do dia
e das palavras
Por trás do querer e não querer
e das aflições da personalidade
Abaixo de tudo o que muda
e morre

Abaixo, por trás e além
Tal como criatura mítica, em águas profundas
Vive a verdadeira voz do ser

O quanto será necessário
para abrir mão deste ato cômico que enceno
e em desespero
vencer a muralha do meu próprio medo
e num salto, resoluto
encarar o abismo da verdade?
Na esperança de descansar enfim
Longe das tristezas e das alegrias
Mas livre
em digna contemplação e lembrança
do que mora além.


Aos trapos
Aos trapos
Mais uma vez
Nada muda

A semi-ciência da escuridão interna

Até quando?

sábado, 26 de julho de 2014

Amor-segredo

Amo você desde o primeiro instante
E o meu amor se esconde
na delicadeza dos gestos
na insistência do meu olhar que, secreto
consome seu esplendor
combustível em meu coração

Amo você
e as palavras para confessar, escondo
Com medo que elas deixem entre nós
compassos vazios
de uma música esquecida

Amo você
e a força do meu amor
obriga-me a amá-lo de qualquer jeito
Mesmo que às migalhas
Mesmo que apenas entre abraços amigos
e votos rarefeitos de afeto

Amo você, inteiro
e fico com o que posso
que já é mais do que poderia esperar
e suportável, muito mais
do que a simples ideia
de nunca poder tê-lo amado de todo.

C.W.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Metades

Na confusão da vida
Deixamos algumas
Metades
Vezes vorazes
Vezes feridas

Metades exatas
Desmedidas
Mal vividas
Dispares

Vezes penso nos inteiros
Que um dia existiram
E isso, por um tempo
Basta

Mas assim como o balde
Sem a àgua do poço
Eis os inteiros
Sem suas metades

terça-feira, 4 de março de 2014

Amor de mãe

Tetando ficar de pé
se firmar no chão
Ou voar no ar, imensidão

Pleno e de olhar vivaz
Olha pra apanhar tudo e nunca mais
Nada a perder

Eu posso desenhar o amor
Com giz de cor
E o gosto é um suspiro
pintando o céu
Eis meu coração

E se navego mares
Não sei dizer

Meu mundo é do tamanho do seu
e tudo aqui você
inventou, e me cuidou

Aquela montanha que não deixa o sol queimar e o mar beber
Você é da cor do amor

O meu horizonte é
Luz dos olhos teus
Meu sorriso é só pra ver o seu


Teu fogo pra sempre vai
Me iluminar
Tuas águas vão ser o meu cais

E quando ventar não vou temer e nem afundar
Vou respirar e ser feliz

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Horizonte

Olho o horizonte.
Hoje, olho o horizonte com outros olhos.
Hoje meu olhar é sincero e verdadeiro comigo mesmo, nos entendemos com simplicidade. Muitas cores se dispõe no infinito céu de entardecer. Num lindo degrade, o vermelho sangue vai sendo beijado pelo verde claro para então chegar num azul breu, que procura com carinho a escuridão. As nuvens brincam soltas no céu, e podemos até palpitar quais são suas formas, ou para onde pretendem ir. Uma grande nuvem me chama a atenção: é uma enorme forma de seta, apondo para muito longe. Será que ela aponta o meu caminho? Será que conduz o seu? Uma estrela planeta distante brilha sua luz própria, por brilhar, tem de ser. O mundo é este que meu olhar transfigura. Meu coração se enche de emoção, e cada vez mais eu tenho a sensação de pertencer a este lugar. Cada vez mais carrego a vontade de desafiar esse mundo, e dessa forma encontrar a forma das minhas próprias pegadas.
Olho o horizonte e penso muitas coisas, mas sei que isso é só o meu começo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Nosso lugar


Toda essa distância
Espero que ela me faça
Abrir mão de tudo que é tranca
Fazer nascer em mim, asas

Pois teu jeito namora o meu céu
E isso me inspira a voar

Esse sentimento
Coração que não disfarça
Mãos que se entrelaçam de longe
Dois caminhos que não podem se separar

Pois teu jeito namora o meu céu
E isso me inspira a voar

Cada palavra que canto
No escuro do meu quarto
Toda doce lembrança
Quantos pontos do meu centro até teu traço?

Qual é a forma que você gosta de ver, nas nuvens?
Minha menina, meu amor, isso é algo que podemos chamar de nosso lugar

Saiba meu amor
Que para onde você for
Para qualquer lugar do mundo que meu coração me levar
Teremos sempre isso para chamar de nosso lugar

Apenas se prepare
Se prepare por dentro
Pois aqui vem vindo uma luz
Que brilha por mim e por você
E ela é tão, tão forte
Que vai trazer calor para os nossos corações
Vai amansar nossos corações

E quando essa luz chegar
Você vai acordar no meio da madrugada e vai saber
Eu vou sorrir
Vamos nos cruzar numa rua qualquer
Um abraço

Corações que sorriem e vidas que se olham
Voaremos juntos

Pois teu jeito namora o meu céu
E isso me inspira a voar


Você nunca estará sozinha, acredite.

domingo, 24 de novembro de 2013

Menina

Uma menina caminhava pela estrada.
Flores cresciam ao vê-la passar, tapetes de folhas se formavam sob seus pés.O vento beijava seus cabelos e assoviava canções em seus ouvidos, e ela dançava. Uma leve chuva de verão flutuava sobre ela, e ela chovia alegria e vida, além dos seus trejeitos de ser.

Em cada passo, um compasso. Seu sorriso, um abrigo para as noites de frio.

Em cada dia, magia. Sua beleza, inspiração eterna para a poesia.

Em cada árvore, fruta madura. A cada mordida, a descoberta de uma nova curta para as antigas feridas.

Em cada ser vivo, encanto. Prazer com seu doce e intenso canto.

Em cada versos dos seus contos, verdade. Metáfora simples da realidade.





terça-feira, 5 de novembro de 2013

O poeta pescador

O poeta tem de andar pelas ruas da cidade Conhecer nova gente Encenar e ser repente Dum cordel febril, sentir frio sem a vergonha de se acolchoar
Das palavras ser amigo e fisgar peixe motivo Ou beber água do mar Um poeta tem de andar pelas ruas da poesia Se despir de vaidade Amar e sentir saudade Queimar seu brasil Amor que não se rende ou se faz dependente Ponteando a realidade Vai fisgar peixe ferido Vai pescar peixe verdade Meu poeta tende a poetizar tuas entranhas Tende a colorir teu gris De arco iris E num céu de ti em mim Meu poeta pescador Vai pescar Peixe pra se enamorar

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cala de frente a minha poesia


Acorda do meu lado amanhã
Me faz um chá, eu te faço carinho
Me ajuda a levantar, pra depois me derrubar no chão
Entrelaçamos as mãos
A tatear o mesmo caminho

Mergulha, amor, nua e sorridente
Arde a tua cor pela minha tela fria
Faz do meu verso, quente
Da minha boca, sua
E da minha promiscuidade, heresia

Cala de frente a minha poesia


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Oceanos gêmeos

São duas quedas da mesma fonte
São duas pedras
Que rolam sob o tempo, se chocam e se moldam
De vento respiram e de vida se fazem tão vivas

Dois rios perenes sob o mesmo céu
São olhos que se olham a todo instante
Passos que se encontram perto e distante
Poemas pra lembrar que somos tanto em tão pouco

São contos da floresta, leões ali da selva do jardim
São faces da pureza, te cuido e você cuida de mim
São olhos que se olham a todo instante
Passos que se encontram perto e distante
Poemas pra lembrar que somos tanto em tão pouco

Almas de mar, oceanos gêmeos
Penso que há conchas nos mares de ti, que já me pertenceram
E algumas estrelas cá do meu mar foram moldadas por você
Sabemos o que são formas, fendas, lendas, peixes
E se trocarmos de olhar
No mar ao entardecer
Saberão nossos olhos de quem são?


M.S., para meus queridos priminhos gêmeos, Lucas e Thiago. Que dominem os próprios oceanos.

domingo, 13 de outubro de 2013

Soltar-se...

Há tantas maneiras únicas de criar, tantas formas lindas a experimentar. Há tantas nuances esperando por nós, se nós apenas deixamos com que o natural se expresse como o natural, se nós permitimos que aquilo que é seja como é. Só que o mundo nos ensina que temos que correr e forçar todos os processos. Que temos que ter controle sobre o que fazemos, que devemos traçar estratégias e metas e dar cada passo sob medida. Ainda mais, o mundo nos diz que devemos respeito à tradição, que temos que aprender o "certo". Mas, de que adianta confinar a vida em uma garrafa? De que adianta ensinar uma criança a desenhar? O belo se faz por si próprio - e acontece em cada ser humano como um reflexo puro de si mesmo. É só quando queremos alterar nosso destino, quando negamos aquilo que mais naturalmente podemos ser, que bloqueamos e restringimos a criatividade. Cada um está sempre apto a fazer o que esteve sempre apto a fazer! Basta fazer - fazer aquilo que se quer fazer, e fazer por inteiro, sem pressa e sem controle. Não deveríamos perder um minuto de tempo sequer julgando aquilo que criamos - basta que o façamos com a alma descansada e presença. E depois, é deixar com que o infinito decida e nos mostre, por entre seus sussurros misteriosos, o propósito de nossa arte.


sábado, 12 de outubro de 2013

Ao distinto poeta

Ao distinto poeta cabe olhar o mundo, assim como olhar a si próprio.
Cabe imergir-se em questionamentos sobre a vida e a sociedade, mas cabe também recriar realidades e sensações, e cobiçar estados, intrínsecos ou não à sua existência.
Cabe alimentar seu âmago criativo à deriva do que se dispõe ao alcance da sua percepção, mas cabe também a fuga, vulgar e visceral, da própria fera linguagens adentro, na loucura ou abstração que aprouver ao chamado da floresta de si mesmo. Desse vale porém, há uma sorte das mais exuberantes às mais perigosas introspecções.
Ao poeta cabe tão bem a sinceridade e a mentira, tal que um indivíduo ao confrontar o mundo do poeta, vai fazê-lo com todos os filtros sobre verdade e mentira que já possui, e dessa forma a si moldar realidades paralelas.
Ao poeta cabe a geografia dos discursos, o calibre das ideias e a armadilha das ideologias, dificilmente saindo este ileso de cada profundo mergulho insalivar das coisas que se fazem entender sem serem ditas.
Cabe a bipolaridade dos acontecimentos, o partidarismo das dúvidas, o amargo da falsa consciência e o ferro das próprias ferraduras.
Ao poeta cabe a solidão extrema, ainda que mascarada pela consonância distante de todos os leitores com sua poesia, mesmo quando essa é sagaz na missão de influir e formalizar processos pensantes.
Cabe então ao poeta, se atar tão elementar e insuportavelmente à sua poesia, a ponto de correr o risco de não saber, a qualquer instante, de nada daquilo que escreve, pensa ou fala, ou então ser surrado pelas suas próprias palavras.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Palavras quaisquer sobre amor demais, tempo, linguagens e velharias sem muito uso prático


Minha amada! Meu amor em solidez, meu caminho, destino, porto e barco para as terras além mar do sublime existir! Meu espelho, minha musa e minha sina, meu destino em hino eterno da felicidade!
Quereis você realmente matar-me, e ao homem que se resignaste conceder tão profundo mergulho nas ideias que me assolam e me afirmam, apenas por vê-la perdida em meus lençois, e assim inibir-me com medo que o rouxinol cante e em pranto  e que o doce canto da madrugada se esvaia por entre teus lábios, teu respiro e o som do silêncio?
Seria eu realmente um joguete desse destino, um refém algoz dos olhos da esfinge do tempo, um Ulisses de Homero, preso ao manto do mar de me perder em você e me afogar no teu corpo, para morrer na solidão do tempo eterno sem ti?
Morrer afogado então seria melhor, se ao visitar os salões do senhor das águas, fortificado fosse pelo canto da mais doce sereia de ambas as dimensões e alegorias que o ser criador foi capaz de traquinar.
Me entregar ao pecado seria doce, seria sublime, seria dança e seria rito selvagem, seria e tão é mais que inócuas palavras fúteis de um mero menestrel, de um arlequim sem pierrô e colombina, de uma cotovia sem amores para acordar, de olhos sem cores a quem sorrir.
Reinventaria a poesia lirica e repudiaria Shakespeare se ambos pudessem domar os caminhos da história somente para que hoje eu reinasse, não nos campos da poesia, mas apenas em tua cama que seria nosso leito e alimento eterno.
Meus heróis então morreriam em paz, conquistando a compreensão de sentido da vida no seu próprio ser, e minha comédia também morreria em virtude do romance real, tintado em sangue de minhas veias, grafado em giros pelo teu corpo. Pergaminho seria a vida em metáfora, nossas existências a areia que seca a tinta e perpetua o ato escrito, e o sopro da natureza levaria essa areia então novamente a terra de onde vieste, o pergaminho ás traças e as palavras soberanas reinariam no mundo das ideias de Platão.
Sócrates seria incapaz de questionar nosso haver, e Alexandre seria pequeno diante das nossas muralhas de portões escancarados. Marlowe sem dúvida pintaria os Versos Brancos só para ver William sorrir, e Heitor sobreviveria para ver Astíanax crescer.

Eu caminharia pelas ruas de Curitiba com a certeza da loucura, com o doce amor nos lábios a sorrir para o português sacana da padaria e para o malabarista no sinal.
Cruzaria o largo e sentaria nos bancos ao lado do Babão.
Olharia a menina de vestido cacau caju laranja de bicicleta, a cachorro sentado á porta da igreja, os tantos e inimagináveis artistas anônimos saindo do Cine Luz, com o mais feliz que a vida pode oferecer. Janelas abertas, crianças paradas e abobadas vendo a geada de manhãzinha,e depois correndo pelo feira e ouvindo o chorinho da roda do meio dia.  Lembraria do cheiro que lembra a lembrança da minha infância e a gata que um dia bebia um chope escuro e ia sumindo pelas ruas, para nunca mais voltar.
Pegaria esse caderno velho, essa caneta quase vazia, essa mão cansada e essa literatura barata e não precisaria escrever mais nada. E nem você.




ps. foda-se para a ortografia

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Cansaço,
e só cansaço

Todas as teclas estão fundas
Batidas
Eu as vejo, afundadas
Eu as vejo e não resta nenhuma
Não em meu teclado

Então cansaço
E a espera de um milagre
nas últimas batidas do relógio
Nos últimos suspiros que restam
No pouco que me sobra



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Epopéia do interior

Vai-te de casa tão cedo
Arranca-te esse amargo do peito
Pois de amargo já teu âmago está cheio

Na esquina o bom cachorro vai
Latir pra te alcançar o som
Verdade vai te acompanhar
Na pátria aquele velho dom de acreditar na invenção
Reinventar as veredas pra se ter chão

Na árvore a beira do rio
Onde deixou escrito o teu amor
Lava nas pedras de correr no leito dos teus ancestrais
As dores que são tão só e suas
As dores que são somente suas

Lembrança é sempre um bom lugar
Saudade é lança de ferrão
No peito o santo pra guiar
De pranto a fé de benção, vai com deus
Segue feito um brado em epopéia de Camões
Pra recriar o herói em ti
Agora tens o dom do ventos
Vai voar
Vai-te tão cedo.

M.S., para meu querido pai.

domingo, 22 de setembro de 2013

Raiz

Há uma arvore que mora dentro de mim
Sua raiz é o que sou, em essência
E serei o mundo, ao retornar à terra mãe

Seu tronco é o que me permite ficar de pé
Passar pelos dias difíceis, e chorar quando preciso

Seus galhos são as vidas que precisei para chegar até aqui
São os punhais e os tapetes vermelhos
São os milagres, as aleluias, o sangue escorrendo
São os vagões brincalhões, que me permitem trocar de lugar, mas continuar a viagem

As folhas são tudo aquilo que vivemos
São as pessoas que passam por nossas vidas
São os sabores, são o tempo impreciso de um abraço
São coisas mágicas que entendemos por coisas mundanas
São verdades que aprendemos sem saber o nome

E lá no céu, na cauda de uma estrela que esvai o brilho pelo infinito
Quando alguém transcende sua viagem
E ultrapassa a atmosfera da sua existência para abraçar o senhor das arvores
Algumas gotas de vida se espalham pelo espaço
A semente daquele que se foi é plantada na terra que envolve nossos pés
Cresce uma árvore
Daquele que um dia foi árvore também
O pássaro semeia seus frutos pelo mundo

E ele agora então também é mundo

M.S.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Lobo Solitário

Patas e garras ao chão
Cheiro de terra
Cheiro de dor

Pela manhã, correndo na floresta
Seguindo rastros que não existem mais

Solitário no ofício de ser fera
Ferir sem sobrar nada que pedir em troca

Pois a minha sina me faz tocar o solo
O meu uivo é hino, é grade
A vaidade é uma ilusão
E no frio, a natureza me faz miragem

Pois, posto que a beleza da selva reside em tudo aquilo que há de ser
Imutável, sólido, montanha e mar
Um lobo é só um lobo
Nasceu fera, mas chora por dentro
Coisas que não sabe sentir
Pois é só, e é só um lobo

M.S.

Minhas folhas

Me deito no chão sob as folhas secas
E ao me levantar, sei um pouco mais sobre mim mesmo

M.S.

Minha floresta

Na floresta, sozinho
No profundo, escuro

Wooojhn, Tssssssch ....
Ventos sopram nas folhas

Luz do luar, só dos olhos
Uma gota de sí mesmo
O calor de um sonho queimando

M.S.